Wednesday, May 31, 2006

O Portugal Simplex

Hoje vim ao Porto em serviço, para efectuar algumas apresentações a potenciais clientes locais, dos quais tinha a morada. Um na zona industrial da Maia e outro na zona da Canela, ao sul do Douro fonte de tão doces sabores.

Tendo absorvido ad-nauseum a filosofia Simplex do nosso simples Simplesmente Sócrates, fui ao guia Michellin da Internet
pedir a rota automóvel para seguir sem problemas até aos destinos. Como diriam os locais "eh carago, que o gajo sabe os nomes das ruas todos e até diz quanto gastamos em portagens e gasóleo" !

Ganda Sócrates ! Porque não entrei no Simplex há mais tempo ? Gaita andei a perder u
m tempo do caraças....

Eis-me saido da A1, para seguir as indicações das ruas. ...Oh vã esperança, se não fosse a sequência certinha de virares à direita e esquerda, proporcionado pelos simplexes da Michellin a minha alcunha seria o "entalado".

Os nomes das ruas constavam no guia, mas as ditas ruas...no aspecto físico...nestes, rien, nothing, nein....nem uma tinha o nome afixado que se visse. Nem no centro da Maia nem nos arredores.

Ainda dizem que o nosso povo não se orienta ? Ai não....aprendemos seguramente com a classe dirigente a orientar-se...pois caso contrário, como seria possível, se nem as ruas têm nome ?

Mas, inquebrantável, mantive-me fiel ao Simplex do simples do nosso "Simplesmente Sócrates" e disse aos meus botões...agora no combóio de regresso a casa vou contar tudinho ao meu blog. Pois tive de contar bem depressinha, pois de Espinho para baixo, rede móvel,no combóio é mentira.

Não, não estou enganado.....eu não estava a viajar no combóio do Tua que deita ainda pedaços de carvão pela chaminé quando nos abismamos por aquelas paisagens maravilhosas. Estava no Alfa Pendular, que pendulando nos trás mais para sul, entre a arquitectura, dos subúrbios das cidades, integrada e assinada pelos mais brilhantes patos-bravos.

Pois é assim. Será que este simples país ainda não conhece as vantagens de ser Simplex ? É que se fosse um simplex país estes problemas não se colocavam. Afinal a culpa ainda é do celebérrimo e milenar acordo ortográfico: tudo se resume a uma troca de consoantes.

Tuesday, May 30, 2006

A violência nunca é gratuita

Passam dias conturbado em Timor-Leste. Tudo parecia ir bem, enfim....com as contingências naturais da implementação da democracia num povo que não tem ainda a necessária cultura para a apreciar, mas tudo estava a ir "andando".

Havia, e há, um presidente respeitado pela comunidade internacional, muito embora o passado de guerrilha dele não lhe tivesse dado o necessário jogo de cintura para a politica internacional chamada de democrática e civilizada.

A guerrilha, nesse aspecto é tão mais fácil de lidar....conhece-se o inimigo e conhecem-se as acções para o eliminar. Há poucas zonas de sombra e, fora a natural estratégia militar e simples sobrevivência na selva, há pouco mais onde deleitar as célulazinhas cinzentas tão mimadas por Hercule Poirot.

Dirigir um país é um fardo muito mais pesado, pois nem tudo o que parece é...e tudo o que é, nós não sabemos quem...

Não há violência gratuita. Ninguém distribui a anarquia, o crime e os abusos humanos sem ter algo em troca, por muito simples que seja e que não é dificil num local onde o povo, literalmente luta pela literal sobrevivência dos seus.

Esta violência que despertou de repente é bizarra, ou parece-nos bizarra, pelo facto de não conhecermos os motivos. Ora, quando os motivos são obscuros...só podem envolver dinheiro. "Pas la femme...mais chechez toujours l' argent"

Algo desagradável estava prestes a acontecer e que iria prejudicar interesses económicos muito poderosos. Seria uma lei que estivesse para sair ? Seria uma adjudicação ? Seria negociação sobre recursos naturais ? Eu não sei....e muito poucos saberão.

Uma coisa é certa. a aparente anarquia que desflagrou foi e é planeada e financiada pois, mesmo os anarcas, necessitam de comer, de se deslocar e de balas para as suas armas.

Algo vai ter de mudar na "democracia" implementada, a tempo de corrigir o que quer que estivesse a ameaçar os tais interesses.

Pobre Timor. Rico em recursos, pobre em educação e com amigos poderosos e ambiciosos.

Sunday, May 28, 2006

Avaliação dos professores pelos papás

Ontem o governo português fez anunciar que, entre outros formatos, os professores vão, também, ser avaliados pelos pais ou encarregados de educação dos formandos. Não estando eu, minimamente, ligado ao sistema educativo tenho todavia responsabilidades de gestão e confunde-me a ideia.

Uma qualquer avaliação profissional terá sempre de ser feita, qualquer que seja a área de actividade, por quem sabe mais, relativamente a quem saberá menos. Se a avaliação não for estritamente profissional, como a que se passa entre colegas de trabalho, há pelo menos que conhecer as regras de funcionamento da organização.

Ora, colocar os pais ou os EE a avaliar professores é inundar o sistema com ruido branco. Salvo, naturalmente honrosas excepções, os pais nem conhecem as normas pelas quais os professores têm de se reger e tenderão a catalogar das mais variadas formas insultousas as mães daqueles profissionais, todos os que aplicarem faltas ou notas negativas aos seus rebentos, geniais, aplicados e seguramente....sempre índigos.