Saturday, June 17, 2006

Opel - Azambuja

Há uma prece antiga que diz:

"Meu Deus, dai-me coragem para aceitar o que não pode ser mudado, força para mudar o que deve ser mudado e sabedoria para distinguir a diferença"

Ora bem, em todo este assunto - triste - da Opel Azambuja, podemos proceder uma análise de acordo com a prece acima referida.

"Coragem para aceitar o que não pode ser mudado"

As empresas privadas têm como objectivo maximizar o seu lucro. Não vamos discutir os méritos ou deméritos daquele objectivo. É um facto. E se os gestores dessas empresas não forem vistos como a tentar perseguir aqueles objectivos são, pura e simplesmente, substituidos.

O contexto das grandes empresas há um par de décadas atrás não tinha os mesmos conceitos à disposição das grandes empresas de hoje, nomeadamente ao nível do "just intime" que acabou com os grandes stocks, da logística que permite trazer peças do outro lado do mundo, das redes globais que permitem ter toda a informação, em qualquer lugar com o carregar de um botão.

Antes uma grande fábrica instalava-se num local
"para sempre". Hoje a grande fábrica saltita de de país em país, de continente em continente, à procura da melhores condições de produção:
  • Mão de obra especializada
  • Mão de obra barata
  • Bons acessos a terminais logísticos (aeroportos, auto-estradas, vias ferroviárias)
  • Incentivos governamentais
Este é o facto que tem de ser aceite com coragem, pois por agora não pode ser mudado. Para o ser todo o paradigma dos objectivos da humanidade teria de ser mudado.

"Força para mudar o que pode ser mudado"

Uma das cara
cteristicas que se constataram no pós 25 de Abril foi a intenção clara para aproximar os salários portugueses dos salários europeus, sem que tenha havido a intenção de fazer o mesmo com a Educação e com a Cultura do povo.

Mais...parece até que durante vários anos as tentativas de melhorar a Educação ou a Cultura eram encaradas como uma contra-revolução à semelhança do que aconteceu no tempo da revolução chinesa ou do genociodio no Camboja. Mais recentemente a Educação foi empurrada com paninhos-quentes, mas para que as estatística de Bruxelas pareçam mais favoráveis para com Portugal.

Obviamente que é preciso força para alterar a Educação...que tem de ser mudada

Os sindicatos foram criados para defender os interesses dos trabalhadores....na época em que as fábricas não saltitavam e na época em que a intervenção dos trabalhadores era de mão-de-obra pura e dura.

As fábricas de hoje perseguem os cêntimos em termos de custos e têm infra-estruturas de fabrico altamente flexiveis, precisamente para se adaptarem com rapidez à fluidez do mercado, logo os seus trabalhadores têm de se adaptar também eles rapidamente a novos equipamentos, e serviços.

Os sindicatos ao defenderem cegamente os aumentos de salários, ao defenderem cegamente os postos de trabalho estão a condenar todos aqueles que trabalham nestas fábricas que saltitam. Obviamente que é preferível ter o mesmo salário do ano passado e manter o emprego do que fazer greve para um aumento e deixar de ter o tal emprego.


O mesm
o se passa com a educação dos referidos trabalhadores. Não conheço programas de sindicatos, eventualmente baseados em quaisquer arcerias, que incentive os seus associados a aprender novos idiomas, computadores, metodologias de trabalho ....ou outra coisa qualquer.

Diga ? Têm de ser os patrões a pagar isso ?.....ah OK.....por esse ponto de vista deviam ser as empresas a pagar as licenciaturas dos engenheiros e os hospitais as dos médicos. Benza-nos Deus !! Os patrões vão para onde estão os funcionários mais adaptáveis, com melhores especializações....e naturalmente mais baratos.

Os sindicatos não têm capacidade negocial para, hoje em dia, lidarem com empresas e governo. Os sindicatos deviam ser a charneira nas negociaçóes para a m
anutenção de grandes fábricas em território nacional, precisamente porque lhes caberia a eles a defesa dos postos de trabalho. Mas esse trabalho, hoje, devia-se fazer com gestores e especialistas financeiros e não com os esterótipos gastos dos defensores da classe operária, a quem ninguém reconhece competência negocial.

Obviamente que é preciso força para alterar o Sindicalismo...que tem de ser mudado


Num país em que se gastam 50 Milhões de Euros a comprar aviões de guerra F16, que depois se pretendem vender ainda dentro dos caixotes, onde se constroiem 10 estádios de futebol para um campeonato europeu que apenas exigia 8, onde se compram 2 submarinos por 500 Milhões de Euros para "combater o tráfego de droga" ......é verdadeiramente impressionante que o governo não se preocupe com as questões associadas às infraestruturas para as fábricas multinacionais.

  • Impostos altos não ajudam
  • Custo alto da energia e combustíveis não ajuda
  • Leis laborais não flexiveis, não ajudam
  • Falta de linhas ferroviárias de alta velocidade (carga) não ajuda
  • Falta de interligações portuárias / aeroportuárias / ferroviárias não ajuda
  • Uma Constituição que sublinha os direitos, mas não os deveres, dos trabalhadores não ajuda
Obviamente que é preciso força para alterar os objectivos estratégicos do país...que têm de ser mudados



"Sabedoria para distinguir a diferença"

Distinguir a diferença obriga a educaçáo, cultura e bom senso......não compatível com politiquices baratas ou caça ao voto por atacado.

Governos e sindicatos são os principais responsáveis pela razia, de deslocalização
, que as industrias nacionais estão a sofrer.

O povo não é culto, mas pode aprender, como outros povos aprenderam. Se o Governo e sindicatos não o fizerem, quem o irá fazer ?

Sunday, June 11, 2006

Dêem Prozac aos realizadores de TV

Não há pachorra para aturar tanta Arte.....

Os programas de televisão são, por definiçáo de bom senso, algo que é para se apreciar visualmente....caso contrário poderiam ser apenas programas de rádio.

Pode ser um desfile de moda, pode ser um casal a dançar rumba, pode ser um telejornal. O que quer que seja tem elementos visuais para serem apreciados. Existem detalhes, cores, reacções e é isso que torna o programa interessante.

Tudo isto é verdade se não fossem os "realizadores Nouvelle Vague" que pretendem suplantar o espectáculo que estão a realizar com o seu próprio espectáculo de camaras a fazerem movimentos de 360º verticais, planos obliquos, zoom-in's e zoom-out's no ar.....sempre tudo a grande velocidade, sendo que o espectador deixou de ter tempo para apreciar, ou sequer notar o que quer que seja.

"Eles" chamam-lhe Arte.

Por algum motivo obscuro, que só pode ter advindo de um qualquer bruxedo que derramou sangue de uma galinha de 3 patas por cima de uma mesa de mistura, os realizadores perderam a noção de que existem para transmitir um acontecimento tal como ele é, com um mínimo de ruido externo, para se apoderarem da convicção de que são artistas e estão ali para fazer "arte", independentemente se a dita, ajuda ou não os espectadores.

É claro que a referida arte não é mais do que uma tentativa de encobrimento da pura e simples falta de profissionalismo. Ser realizador é dificil e exige mestria. No meio da confusão visual, no meio de tanta "arte" passa tudo.

Há todavia que conceder o mérito de um excelente marketing. Os realizadores...ou melhor (perdoem-me os profissionais) ...este tipo de "realizadores" conseguiu convencer os produtores e os responsáveis das estações que assim é que é !!

Fascinante....é o remake do tecido transparente, cujas roupas só conseguem ser vistas por pessoas inteligentes.....e por isso o Rei vai nú !


Saturday, June 10, 2006

O sonho da Educação

Ontem fui castigado por uma entrevista, em directo, entre a MInistra da Educação e o representante da Fenprof.

Foi embaraçoso.

O pobre coitado da Fenprof fez a Ministra (apesar de todas as pérolas de decretos-lei com que nos tem mimoseado) passar por uma intelectual especializada em temas de educação. Não deixou de ser uma prova fascinante de como o muito mau pode tornar excelente o mediocre.


Tomar, ou não tomar, Prozac antes de me deitar....essa era a questão pulsante na minha cabeça. Acabei por me armar em duro e não tomei....para prejuízo, já bastava o intelectual....

Deitei-me e sonhei toda a noite com a questão da Educação em Portugal....vejam só....mas não foi um pesadelo...foi maravilhoso...

O meu sonho começou com a constatação de que todas as escolas eram privadas. Até no sonho achei estranho e fui levitando até entender a questão.

As escolas eram privadas, de associações ou mesmo corporativas....mas o importante é que não eram do Estado. O Estado pagava sim um subsidio às escolas por cada aluno que tinham no curriculum obrigatório.


Hhhhhmmm.....interessante. Toda aquela palhaçada da colocação dos professores, substituição de professores, formação de professores, bons ou maus resultados, existência ou não de auxiliares de educação, etc... passavam, muito naturalmente, para a área
em que o Darwin se especializou....a sobrevivência dos melhores.

Os alunos ao terem a liberdade para escolherem a escola que quisessem, independentemente
do seu local de residência, estavam a escolher as que fornecem melhores condições. Por terem melhores equipamentos, por terem melhores professores, por serem mais humanas.

Curioso. Os professores, sendo bons em termos de entusiasmar os alunos pelas suas matérias e fazê-los passar com boas notas nos exames nacionais, estavam a ser pretendidos por várias escolas, pois com esses professores, as escolas teriam mais e melhores alunos e receberiam do Estado um subsidio por aluno elaborado por uma fórmula que associava em termos de relações directamente proporcionais ao valor do subsidio:
  • Nº de alunos dessa escola
  • Médias em exames finais dos alunos dessa escola
  • Interioridade
Da mesma forma as escolas poderiam escolher os auxiliares que precisassem ou até negociar com entidades privadas equipamentos laboratoriais, gimno-desportivos ou outra qualquer forma de co-operação, nomeadamente em termos de treinos linguisticos com empresas especializadas.

Neste cenário todos ganham. Os professores veriam as suas carreiras dependerem deles
e especializar-se-iam nas suas áreas. Os candidatos a auxiliares não veriam as suas contratações limitadas pelo Ministério. Haveriam lugares de gestão nas Escolas para serem ocupados por profissionais competentes.

Mas então o que fazia o todo-poderoso-infalível-omnipresente Ministério da Educação neste meu sonho ?

Investiguei...volitando de gabinete em gabinete....que já não eram necessários 4.000 funcionários, mas apenas pouco mais de 100 cuja função era, acompanhar o que se fazia de melhor na Europa e definir assim os curriculuns minimos que as escolas tinham de garantir, de forma comprovada através de exames nacionais anuais.


Curriculuns minimos ?!? Isso cheirou-me a bizarro !.....aproveitei as capacidades únicas que os sonhos proporcionam para, com visão de Raios-X ler o que a legislação, simples e clara referia de forma muito simples. (ah caramba.....os sonhos são maravilhosos)

Os professores das várias disciplinas, em cada ano escolar, tinham um conjunto de matérias obrigatórias para dar. Essas matérias ocupavam sensivelmente 60% do calendário escolar. Os restantes 40% eram ocupados com outras matérias, da mesma área, escolhidas por cada professor, para conseguir captar a atenção de cada turma de acordo com os interesses específicos dos alunos dessa turma.

Bom....entretanto tocou o despertador e lá fui eu cambaleante e sonolento para a casa de banho onde caí na asneira de ligar o rádio que fez questão em relembrar-me a entrevista televisiva com que comecei este texto.....ora bolas, lá se foi o doce sabor do sonho....



Thursday, June 08, 2006

Autoridade - Autodedari - Auridadeto


Autoridade da Concorrência

(extrato da Constituição Portuguesa)

CAPÍTULO II
Autoridade da Concorrência

Artigo 14.º
Autoridade da Concorrência
O respeito pelas regras da concorrência é assegurado pela Autoridade da Concorrência, nos limites das atribuições e competências que lhe são legalmente cometidas.


(extrato da missão da Autoridade da Concorrência)

Assim, a missão da Autoridade é:

Assegurar a aplicação das regras de concorrência em Portugal, no respeito pelo princípio da economia de mercado e da livre concorrência, tendo em vista:

  • O funcionamento eficiente dos mercados,
  • Um elevado nível de progresso técnico,
  • E, sobretudo, o prosseguimento do maior benefício para os consumidores.

(extrato do Portugal Diário de hoje)


«Pinho [Ministro da Economia] anula decisão sobre a Brisa»
Fusão entre a Brisa e a Auto-Estradas do Atlântico vai seguir em frente, apesar de a autoridade da concorrência a ter chumbado


Eu sou um merceeiro....mas um merceeiro que sabe ler.....mais ....um merceeiro que, devido à concorrência das grandes superfícies tem imenso tempo para se sentar nas sacas de feijão frade e tentar perceber coisas....


Percebi que a concorrência deve ser algo para favorecer o consumidor. Por ser importante para o cidadão nacional e por ser algo suficientemente complexo a Constituição Portuguesa dá-lhe atenção específica.

A própria Autoridade da Concorrência, apercebendo-se do que se esperava dela fez publicar a sua missão....sempre em defesa do consumidor final, em Portugal também designado por "mexilhão"

Ora...se a AdC decidiu contra a compra das Autoestradas do Atlântico pela Brisa é porque, dentro da sua especialidade de estudo, achou que tal não era benéfico para os utentes, cidadãos, ou apenas os mexilhões....bom, esta é a conclusão de um merceeiro !


Por outro lado o ministro da Economia ultrapassou aquela decisão com o argumento de que é no "interesse nacional".

Ora, só há 3 conclusões possíveis:

  • A AdC é um organismo que não consegue, por qualquer motivo, efectuar as funções para as quais foi criada e deveria ser extinta.
  • A AdC tem a informaçáo e condições necessárias para decidir correctamente mas os seus reponsáveis são negligentes e incompetentes devendo ser, de imediato, demitidos.
  • A AdC tem razão e então o governo tomou a decisão para defender interesses económicos, mesmo que posteriormente se pudessem revelar de interesse nacional.
Eu não questiono decisões....eu só queria entender as ditas. Tal como foi apresentada ao país a situação não é razoável. O governo como de costume tratou-nos a todos como tontinhos a quem basta ver a copa do mundo para estarem satisfeitos.


Bom...se calhar o governo tem razão.
Ao fim e ao cabo cada povo tem os governos que
merece.

Monday, June 05, 2006

"Futebóle" - os artistas, o público e o espectáculo

Estamos, em Portugal, a viver o eterno entusiasmo, prévio às grandes competições, de sermos os maiores. Somos muita bons porque temos uma grande equipa....temos ?

Uma equipa de futebol nacional, tem hoje em dia uma responsabilidade tremenda de representação. Todos aqueles jogadores representam, não só o país, mas o que o país tem de melhor em termos futebolisticos....mas não é só...

Vamos caricaturizar. ...
Se um daqueles craques tiver morto a mãe ao estalo, ele deverá ir ao cam
peonato do mundo de futebol ? Bom....provavelmente não, porque estaria preso...OK

Tentemos novamente:
Se um daqueles craques bater na mulher, deve ir ? Vamos admitir que as fotos até apareceram nos jornais....Deve ir ?

A questão é esta...um representante do país deve ser uma pessoa digna e respeitável. Não é razoável vender a imagem de um país a um qualquer fabricante de sapatos de ténis.....pois não ?

A atitude de menino mimado do Cristiano Ronaldo no jogo "amigável" com o Luxemburgo, a barba de ressaca mostrada pelo Figo, nesse mesmo jogo e quejandos não dão uma boa imagem de Portugal, com maioria de razão se eles são o melhor que se pôde
arranjar.

Já nem falo, naturamente no exemplo que eles dão aos jovens deste país que seguem a sua imagem, na maioria dos casos.

A comunicação social a dizer que "Nervos ameaçam superputo" é tudo menos razoável. O tal de superputo é um profissional, não é ? Tem de se portar como tal. Não fossem os ganhos asbsolutamente astronómicos que ganham todos à sombra dele (empresários, treinadores, donos de clubes, etc) e devido a um marketing fabuloso ...ele seria despedido, pois nenhum patrão razoável admite um funcionário que é grosso, por muito bom que seja. Funcionários bons há seguramente muitos no mercado.

Aliás é verdadeiramente incrivel que o povão (comunicação social incluida) desculpe todo o tipo de comportamentos aos elementos dos grupos de trabalho dos futebóis, quando ali está tudo menos amadorismo. Ganham centenas de milhares de euros por mês e são, ou d
everiam ser, profissionais. Isso de se dizer que estão desmotivados ou stressados ou outra coisa qualquer para justificar até derrotas é inebriante para o comum dos mortais que, se demonstrar falha profissional por alguma dessa razões vai para a fila do desemprego....ou dos supra-numerários do estado.

Mas como se tudo isto não bastasse, eis que os nossos eleitos chegam ao local onde vão residir na Alemanha. As televisões passaram grande parte do dia a mostrar as centenas de portugueses, à espera deles e que de tudo fizeram para serem agradáveis e proporcionar uma calorosa festa de boas-vindas.

Eles fizeram filas quilométricas, pintaram-se com as cores de Portugal....pintaram carros...e para quê ?? Digam lá para que tudo isto durante as 8 a 10 horas de espera ??

Para verem passar, em passo de corrida, os jogadores do autocarro para o hotel.
  • Não houve um sorriso
  • Não houve um autógrafo
  • Não houve uma lembrança
  • Não houve um obrigado

Apenas a passada arrogante dos nossos representantes, quais patos bravos ricos à custa da ignorância e necessidade dos outros.

Sim, pois porque não fossem as pessoas sem cultura e com as dificuldades de vida que têm, não sublimavam no futebol as suas alegrias e tristezas, e estariam então aptas a apreciar verdadeiros profissionais, dignos representantes do seu país.






Saturday, June 03, 2006

Prof's - as "pessoas" que se candidatam

Apesar de já hoje ter aqui vindo escrever umas larachas e, em bom abono da verdade ter mais do que fazer, não resisto a comentar um fait-divers das notícias da nossa hora de almoço.

O nosso primeiro ministro, questionado sobre os 60.000 professores que não foram colocados, corrigiu célere o disparate da pergunta feita pelos jornalistas. Disse ele:

"Nããããooooo. Desses 60.000 a maioria não são professores, são apenas pessoas que se candidataram ao lugar de professor"

Agora estou esclarecido ! Todavia, alguns problemas antevejo num horizonte próximo:

  • Para já comecei por meter os papéis para um divórcio pois, muito embora a minha excelentíssima esposa já não exerça a profissão de professora, andou anos a enganar-me com histórias, dizia ela, relativas aos seus anos de estágio profissionalizante - após licenciatura - para que se pudesse candidatar aos lugares de professora.
  • Seguidamente descobri porque é que o meu vizinho que faz trabalhos de ferreiro - tem forja e tudo - passou a andar muito triste depois de umas quantas semanas de extraordinária efusividade. Ele deve ter sido uma das pessoas que se candidatou e ficou de fora. Pois foi uma pena...aqueles fedelhos candidatos a marginais que vimos nos últimos dias na TV ficavam curados num instante com o calor da forja dele.
  • Por último tenho de ter cuidado quando quiser contratar um jovem engenheiro cá para a empresa. O gajo só é de facto engenheiro se já tiver trabalhado como tal em algum local....caso contrário - carago - não passa de mais uma "pessoa" a querer um tacho.
Abençoado governo que nos abre os olhos ! Qual canudo, qual quê ?
"Qual nota de curso, qual mestrado, qual quê oh madraço! Se não estiveste inscrito para pagar impostos com o suor do teu trabalho não és ninguém. Mas, na caridade infinita do nos
so governo, mesmo sendo ninguém podes candidatar-te a professor"

Isto é mesmo tal qual o Nobel da literatura....só depois de muita coisa escrita é que se tem o título. ....eu sei, por portas e travessas, que o governo está a pensar expandir o conceito. A partir de 2007, quem não tiver já sido professor, durante 15 anos, em escolas de bairros deg
radados e sido hospitalizado, pelo menos 3 vezes por agressões - sendo que uma delas deverá ter colocado em sério risco a sua vida - não tem o mérito de ostentar esse epíteto pelo que, nos concursos trienais, continuará no grupo das "pessoas" que se candidatam.

Não basta ser inteligente para estar no governo, também são precisos grandes cojones para aplicar a verbalização correcta em prol e benefício da populaça. Quem sai aos seus não é de Genebra.

Quotinhas larocas

O Presidente da República vetou o diploma do governo em que se obrigava os partidos a incluir 33% de mulheres nas suas listas eleitorais. Achei péssimo e nada quiche. Afinal o governo estava apenas a dar os primeiros passos numa revolução democrática que obnubilaria a tal dos cravos aqui há umas dezenas de anos.

O lema escondido do governo era:
Hoje 33% de mulheres, nas listas eleitorais, mas amanhã....
  • 12,75% de afro-portugueses
  • 5,06% de asio-portugueses
  • 7,45% de maiores de 70 anos
  • 2,05% de anões
  • 0,063% de jogadores de futebol
  • 21% de alfabetizados
  • 9,0909% de professores de matemática
  • 3,4% de carecas
  • 2% de vendedores na lota
  • 4,1361% de diversos, sorteados entre os militantes com as contas em dia
Mas não, o Presidente chumbou e assim impediu-nos de assistir às intervenções daquelas carinhas larocas que perfariam 33% dos deputados. Não só isso mas o Presidente impediu o governo de assumir uma posição que somente o fortaleceria:

"ah elas não querem vir ?!? ....isso é que era bom...está na lei ! levantem-se processos crime !! Elas têm de ser candidatas a deputados porque a lei assim o determina!!!"


Vejam só as aberturas de telejornais que o Ministro da Administração Interna perdeu....entrevistas em directo com o Sr Ministro, tendo como pano de fundo as carrinhas velhinhas da PSP que antes batiam os bas-fonds lisboetas em rusgas, agora a servirem para levar as mães, as donas de casa, as empresárias....para o Parlamento, entre gritos, cartazes a pedirem mais homens para a catedral da democracia, bebés agarrados aos tornozelos das mães....

Morreu a história da quotas para o Parlamento e com ela morreu a força do governo, a esperança dos restantes grupos de cidadãos que esperavam lá ir parar, enfim morreu um pouco da nossa alegria que se delicia com estes temas....