"Meu Deus, dai-me coragem para aceitar o que não pode ser mudado, força para mudar o que deve ser mudado e sabedoria para distinguir a diferença"
Ora bem, em todo este assunto - triste - da Opel Azambuja, podemos proceder uma análise de acordo com a prece acima referida.
"Coragem para aceitar o que não pode ser mudado"As empresas privadas têm como objectivo maximizar o seu lucro. Não vamos discutir os méritos ou deméritos daquele objectivo. É um facto. E se os gestores dessas empresas não forem vistos como a tentar perseguir aqueles objectivos são, pura e simplesmente, substituidos.
O contexto das grandes empresas há um par de décadas atrás não tinha os mesmos conceitos à disposição das grandes empresas de hoje, nomeadamente ao nível do "just intime" que acabou com os grandes stocks, da logística que permite trazer peças do outro lado do mundo, das redes globais que permitem ter toda a informação, em qualquer lugar com o carregar de um botão.
Antes uma grande fábrica instalava-se num local "para sempre". Hoje a grande fábrica saltita de de país em país, de continente em continente, à procura da melhores condições de produção:
- Mão de obra especializada
- Mão de obra barata
- Bons acessos a terminais logísticos (aeroportos, auto-estradas, vias ferroviárias)
- Incentivos governamentais
"Força para mudar o que pode ser mudado"
Uma das caracteristicas que se constataram no pós 25 de Abril foi a intenção clara para aproximar os salários portugueses dos salários europeus, sem que tenha havido a intenção de fazer o mesmo com a Educação e com a Cultura do povo.

Mais...parece até que durante vários anos as tentativas de melhorar a Educação ou a Cultura eram encaradas como uma contra-revolução à semelhança do que aconteceu no tempo da revolução chinesa ou do genociodio no Camboja. Mais recentemente a Educação foi empurrada com paninhos-quentes, mas para que as estatística de Bruxelas pareçam mais favoráveis para com Portugal.
Obviamente que é preciso força para alterar a Educação...que tem de ser mudada
Os sindicatos foram criados para defender os interesses dos trabalhadores....na época em que as fábricas não saltitavam e na época em que a intervenção dos trabalhadores era de mão-de-obra pura e dura.
As fábricas de hoje perseguem os cêntimos em termos de custos e têm infra-estruturas de fabrico altamente flexiveis, precisamente para se adaptarem com rapidez à fluidez do mercado, logo os seus trabalhadores têm de se adaptar também eles rapidamente a novos equipamentos, e serviços.
Os sindicatos ao defenderem cegamente os aumentos de salários, ao defenderem cegamente os postos de trabalho estão a condenar todos aqueles que trabalham nestas fábricas que saltitam. Obviamente que é preferível ter o mesmo salário do ano passado e manter o emprego do que fazer greve para um aumento e deixar de ter o tal emprego.
O mesmo se passa com a educação dos referidos trabalhadores. Não conheço programas de sindicatos, eventualmente baseados em quaisquer arcerias, que incentive os seus associados a aprender novos idiomas, computadores, metodologias de trabalho ....ou outra coisa qualquer.

Diga ? Têm de ser os patrões a pagar isso ?.....ah OK.....por esse ponto de vista deviam ser as empresas a pagar as licenciaturas dos engenheiros e os hospitais as dos médicos. Benza-nos Deus !! Os patrões vão para onde estão os funcionários mais adaptáveis, com melhores especializações....e naturalmente mais baratos.
Os sindicatos não têm capacidade negocial para, hoje em dia, lidarem com empresas e governo. Os sindicatos deviam ser a charneira nas negociaçóes para a manutenção de grandes fábricas em território nacional, precisamente porque lhes caberia a eles a defesa dos postos de trabalho. Mas esse trabalho, hoje, devia-se fazer com gestores e especialistas financeiros e não com os esterótipos gastos dos defensores da classe operária, a quem ninguém reconhece competência negocial.
Obviamente que é preciso força para alterar o Sindicalismo...que tem de ser mudado
Num país em que se gastam 50 Milhões de Euros a comprar aviões de guerra F16, que depois se pretendem vender ainda dentro dos caixotes, onde se constroiem 10 estádios de futebol para um campeonato europeu que apenas exigia 8, onde se compram 2 submarinos por 500 Milhões de Euros para "combater o tráfego de droga" ......é verdadeiramente impressionante que o governo não se preocupe com as questões associadas às infraestruturas para as fábricas multinacionais.

- Impostos altos não ajudam
- Custo alto da energia e combustíveis não ajuda
- Leis laborais não flexiveis, não ajudam
- Falta de linhas ferroviárias de alta velocidade (carga) não ajuda
- Falta de interligações portuárias / aeroportuárias / ferroviárias não ajuda
- Uma Constituição que sublinha os direitos, mas não os deveres, dos trabalhadores não ajuda
Obviamente que é preciso força para alterar os objectivos estratégicos do país...que têm de ser mudados
"Sabedoria para distinguir a diferença"

Distinguir a diferença obriga a educaçáo, cultura e bom senso......não compatível com politiquices baratas ou caça ao voto por atacado.
Governos e sindicatos são os principais responsáveis pela razia, de deslocalização, que as industrias nacionais estão a sofrer.
O povo não é culto, mas pode aprender, como outros povos aprenderam. Se o Governo e sindicatos não o fizerem, quem o irá fazer ?











