Ontem o dia da mulher não o foi de facto para a nossa ministrazinha....bom, diga-se em abono da verdade que também não o foi para a triste entrevistadora do jornal da noite da SIC....coitadinha...coitadinhas das duas.Comecemos pelo particular, para depois acabar no geral. Comecemos pelos temas que a entrevistadora deveria ter apanhado e não fez:
"nós sabemos que os professores se estão a sacrificar muito"
sacrificios ?!? porquê ?!? Se o sistema de ensino estivesse bem estruturado não haveria necessidade de que qualquer dos seus participantes fizesse esse tipo de sacrificio. Se a Ministra o reconhece é porque constata as limitações do sistema que obrigam a esse sacrificio.
"sair seria o método mais fácil"
Bom, a pergunta óbvia seria então: se esse é o método mais fácil, então porque escolher o mais dificil ?
O ensino tem obviamente alguns cancros agarrados, os quais eu nunca consegui entender:
Os professores "temporários" e que vão sendo temporários ao longo de décadas. O sistema precisa ou não precisa deles ? Se precisa é integrá-los no quadro, se não precisa então não os recontrata. Obrigá-los a mendigar o pão com que alimentam as suas famílias nunca lhe garantindo o mesmo é vil, baixo e não garante qualquer tipo de empenho em desenvolvimento pessoal em prol do ensino.
O abuso do horário de trabalho em que os professores chegam às escolas às 08:00 e são obrigados a sair, muitas vezes depois das 22:00 pois a legislação até determina em que dias e horas a miriade de reuniões orbigatórias tem de ter lugar...é reles. A legislação é todo poderosa....cretinamente todo poderosa......mesmo que os professores se possam reunir mais cedo, sem prejuizo para ninguém têm de estar a "fazer-horas para obedecer aos horários estipulados.
As estatísticas! Os professores sofrem autênticos calvários burocráticos se derem notas muito más ou muito boas.....isto é real ?!? É o convite ao "médio" para todos....seja merecido ou não. Qual é a crise em apresentar médias mais baixas do que os restantes paises europeus ? Cada vez menos teremos hipóteses em competir seja com quer for....a menos que cada vez mais as nossas mentiras sejam maiores. Nos antigos paises de leste, das poucas coisas que se podiam fazer em segurança era estudar....e devido à dificuldade de vida lá, o cidadão, mesmo novo, dá valor a esse bem que é a cultura e a instrução.
A escolaridade obrigatória devia ser um instrumento para proporcionar progresso ao país. A escolaridade obrigatória funciona no pressuposto de que o aluno quer aprender....e se em muitos casos não quiser ? Não é possível forçar quem não quer a receber instrução e cultura. Gastam-se milhões de euros literalmente para o lixo. Estraga-se o resto da classe. Qual é a mais valia desse forcing ? Não existirão alternativas inteligentes, mesmo gastando o mesmo dinheiro com mais proveito ?
Quanto às avaliações eu já me pronunciei neste blog sobre as mesmas. Enquanto elemento fora do sistema de ensino, ver professores a serem avaliados por colegas da mesma escola não é - de todo - garante de credibilidade. Nem credibilidade científica....nem pedegógica.
Claro que a pergunta da Fenprof "como é que a entidade que tutela os professores o pode fazer se os profesores estão todos contra?" é falaciosa pois até podia ter acotecido que a posição da Ministra fosse razoável e a dos professores corporativa....mas não foi o caso ! A atitude da Ministra é completamente autista, conforme se viu na (fraca) entrevista televisiva.
A Ministra não tem projectos ou se os tem não é capaz de os verbalizar a um país cansado de uma má Educação crónica nas escolas. Se não é capaz, por definição não é uma boa Ministra da Educação.
A Ministra da Educação não tem pose, não tem liderança e não se dá ao respeito. Pois é....a Ministra não tem Educação e isso não vai beneficiar em nada os projectos do governo socialista.


