Sunday, November 23, 2008

Educação, sempre Educação

Vivam,
Estive quase duas semanas sem aqui vir, na esperança que alguma coisa mudasse no nosso país....mas esperança vã. Continuamos um país com problemas na Educação.


Avaliação de professores
Eu sou um autêntico grunho pois não consigo entender.....

A avaliação dos professores não é (apenas) visível nas notas dos seus alunos ? Notas em exames nacionais, entenda-se. Entendo que eles possam ter mestrados, doutoramentos, ser responsáveis por várias áreas da escola....mas julgo que o fim último é ensinar os alunos....ou não ?

Entendo que há escolas com alunos de capacidades diferentes....ou melhor, entendo que possa haver, pois o facto de uma escola estar numa zona pobre não significa que os alunos sejam todos retardados...mas ok, vamos admitir que as dificeis condições de vida afectam a sua produtividade escolar, mas nesse caso bastaria afectar um factor de ponderação a cada escola que seria utilizador para processar as notas dos alunos nessa escola, e assim os professores poderiam ser avaliados pelas notas dos seus alunos através de todo o país.

Não entendo aliás porque ninguém levanta esta minha questão....no final de tudo a qualidade de um professor mede-se pelo aprendizado dos seus alunos. Como mais ninguém fala nisto é porque eu sou mesmo grunho e não entendo o que parece ser óbvio para todos...o que quer que esse "óbvio" seja.


Mestrado para "amigos"

Julgava que para ter um mestrado era necessário ter uma licenciatura....na minha infinita ingenuidade.....pois nada mais errado !!

A lei agora permite que um mestrado seja feito apenas com base no 12º ano e com uma assinatura de um qualquer borucrata governamental que ateste que o percurso profissional do candidato a mestrado substitui a dita licenciatura.

Mas....palavras para quê ? Isto só pode ter sido feito para que, um qualquer inútil, filho de um outro inútil, mas com poder para fazer esta lei, possa dizer que tem um mestrado.

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Sunday, November 09, 2008

Avaliação de professores - II

No dia 17 de Fevereiro deste ano teci, neste blog, alguns comentários que mantenho, mas que não irei repetir, correndo o risco de me plagiar a mim próprio.

Hoje abordarei a questão sa sua vertente de informação macro. Eu até sou casado com uma ex-professora que, felizmente largou o ensino antes de ser destroçada por este, portanto até conheço o sistema antes ainda desta modernice das avaliações.

Todavia o vulgar cidadão, vê manifestações gigantescas, vê discursos inflamados e só ouve falar que os professores não querem avaliação.....o que é obviamente negativo para a classe dos professores.

Não há ninguém....nem dirigentes dos professores....nem (naturalmente) jornalistas que façam luz sobre os problemas que os professores referem. Problemas traduzidos em elementos palpáveis e que as pessoas entendam.

Se um professor vier à televisão e descrever ao nível de horas e minutos como é a sua vida do dia a dia, e se forem mostrados mapas de ocupação de tempo entre as 08:00 e as 22:00, horário mais do que comum entre os professores, aí a generalidade da população vai entender o seu protesto.

Mas é fascinante que ninguém se preocupe em transmitir esses detalhes que mostrariam que cada vez os professores têm menos tempo para dedicar aos alunos - objectivo essencial da sua vida profissional.

Tendo dito isto, e salvaguardando as excepções, eu sou dos que acreditam fervorosamente que a formação cultural e gosto pela informação se cultiva na escola primária. Por outras palavras...parte do insucesso educacional dos alunos que entram no ensino básico (5º ano e seguintes) se deve ao insucesso da sua professora primária. O gosto por aprender, se não é adquirido na primária, já nunca o vai ser.

Por outro lado os professores do ensino pós4º ano também deixam muito a desejar, tecnica e culturalmente. Falta o dominio do inglês, falta o conhecimento da Internet e faltam as mais básicas noções de motivação de turmas, cada vez mais dificeis de cativar, precisamente devido às lacunas da sua formação primária e aos aliciantes diários tecnológicos.

Não há aluno que não seja cativado por um professor que domine a sua matéria, que seja um bom comunicador e que consiga fazer a ligação entre a sua matéria e os interesses dos seus alunos através de muitos dos paradigmas da geração moderna. Claro que admito que o nosso estado não pode criar dificuldades adicionais através de uma ministra que é declaradamente autista, com os meus pedidos de desculpa a todos os autistas, pois tal afirmação pode ser entendida como ofensiva para estes.

No tempo do meu pai quem acabava a 4ª classe tinha os conhecimentos suficientes para abrir e gerir um negócio.Hoje quem acaba o 12º ano consegue fazer o quê ?

Todas estas medidas do governo não servem mais do que melhorar as nossas estatísticas europeias e isto é uma questão interessante. Interessa mais ao governo fazer boa figura aos estrangeiros, com um sucesso escolar (ficticiamente) alto, do que fazer boa figura face aos portugueses com um implementações que reduziriam (no imediato) o sucesso escolar, mas garantiriam à próxima geração uma educação de qualidade.

E o mais fascinante é que não há ninguém que se levante aos gritos a denunciar este tema. Vamos todos votar, em filinha indiana, bem comportados (será mais uma "vitória da democracia") no partido A ou no partido B. Os "inteligentes" abstêm-se, quando deviam ir votar NULO.

A Irlanda em 1985 entrou na CEE conosco e estava atrás de nós em tudo ! Vejam hoje : não tem auto-estradas nem TGV's, mas têm um dos sistemas de ensino mais avançado. Pululam universidades e todos os departamentos de investigação de grandes empresas tecnológicas estão lá. Não haverá uma alma caridosa, na comunicação social, que comece a bombardear os governantes - sistematicamente - com este tipo de temas até às eleiçoes ?

Saúde e Educação são os pilares de desenvolvimento de qualquer povo. A partir daqui tudo é possível, mas parece que os nossos gestores estão apenas preocupados com os bolsos deles e com a sua imagem internacional, para "tachos" futuros e tudo isto......COM A NOSSA BENÇÃO !

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Saturday, November 01, 2008

Fascínios

Não, não vou falar da novela da TV, vou falar de uma novela da vida real que é de facto fascinante...o nosso governo ! E não me entendam mal, eu não sou de outro partido que não o Socialista, o que eu sou é contra toda a nossa classe política, que há 30 anos, são os mesmos a comer do nosso bolso....mas nem é isto que eu queria falar

IVA
Numa época de crise como a que temos, com um governo que afirma de mãos postas no peito que tudo está a fazer para dinamizar a economia, obriga a pagar o IVA, independentemente das empresas o terem recebido dos seus clientes. Isto existe ?

Mas o mais fascinante é que para os transportadores a questão não se coloca....eles vão ter medidas de excepção e só pagam o IVA depois de o receberem dos clientes....e mais fascinante ainda é que a comunicação social não interroga quem de direito para sabermos se tal é até constitucional !?!

É constitucional que algumas empresas privadas tenham direitos e regalias fiscais diferentes das restantes empresas privadas ?!?

É claro que tudo isto não é mais do que um acto de covardia do governo, pois essas empresas privadas privelegiadas, são aquelas que conseguem fazer parar o país, como aliás já o fizeram há alguns meses, perante a apatia (perdão, queria dizer capacidade de negociação) das autoridades

É fascinante que não hajam urros de indignação na comunicação social, que não hajam manisfestações.....somos de facto
"Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
[Guerra Junqueiro in "Pátria" 1896]

Eliminação dos exames até ao 9º ano
O tal de conselho de Educação lembrou-se, provavelmente a pedido do Governo (pois se não andarem pianinho não comem do tacho) que era uma boa ideia acabar com todos os exames até ao 9º ano.

Isso é que a Ministra havia de curtir nos jornais...já estou a ver as manchetes...."Ministra da Educação atinge os 100% de sucesso nos primeiros 8 anos da vida escolar portuguesa. O designio da educação do nosso Primeiro Ministro, finalmente atingido.

A cena é que mais uma vez o governo está a ser falacioso no que diz, nomeadamente quando nos compara à Finlândia. Na Finlândia os programas escolares obrigatórios só preenchem 50% do ano lectivo, competindo aos professores preencherem os restantes 50% do tempo com matérias da sua responsabilidade, mas escolhidas turma a turma, de forma a entusiasmar e cativar os alunos. E mesmo sem exames os professores têm a responsabilidade de garantir que a matéria obrigatória está bem aprendida.

Mas querem brincar "aos finlandeses" ?!? Por mim acho óptimo !
Vamos traduzir para português os exames do 9º ano finlandês, em todas as disciplinas que não tenham a ver com o país, tal como liingua materna e história.
Traduzam os exames do 9º ano de matemática, fisica, inglês, ciências naturais e por aí fora e então vamos ver como nos comparamos com os finlandeses.

Vocês (políticos) não se enxergam mesmo......porque será que a Finlândia, um país gelado e escuro tem o sucesos comercial que tem ? Alguém já se interrogou sobre o tema ? Eles nem Sol têm para vender....

Fácil...eles começam a educar as crianças desde muito cedo para as vantagens do conhecimento, em vez de as inundarem em 8/10 horas de aulas por dia. Assim os pais já são educados em como educar os filhos, os professores muito mais sensibilizados e apoiados pelo estado e aí temos o sucesso finlandês ! Eles percebem a necessidade da cultura, em toda a sua abrangência, para o sucesso individual e colectivo.

Nós queremos futebol e novelas.....pouco mudou desde os tempos do Salazar que era futebol e fado, mas ao menos o Salazar exigia aos seus mais discrição nas mescambilhas em que pudessem estar metidos.....o mesmo não se passa agora. Basta ver as histórias profissionais de Jorge Coelho e Ferreira do Amaral, tal como recentemente apareceram na TVI (lá vai aparecendo alguma excepção que confirma a regra)

Somos um povo tão bom, mas tão imbecil. Quantas fortunas se estão a fazer à sombra da nossa imbecilidade dormente, maquilhada de intervenção política ou de intelectual abstenção

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