No dia 17 de Fevereiro deste ano teci, neste blog, alguns comentários que mantenho, mas que não irei repetir, correndo o risco de me plagiar a mim próprio.
Hoje abordarei a questão sa sua vertente de informação macro. Eu até sou casado com uma ex-professora que, felizmente largou o ensino antes de ser destroçada por este, portanto até conheço o sistema antes ainda desta modernice das avaliações.
Todavia o vulgar cidadão, vê manifestações gigantescas, vê discursos inflamados e só ouve falar que os professores não querem avaliação.....o que é obviamente negativo para a classe dos professores.
Não há ninguém....nem dirigentes dos professores....nem (naturalmente) jornalistas que façam luz sobre os problemas que os professores referem. Problemas traduzidos em elementos palpáveis e que as pessoas entendam.
Se um professor vier à televisão e descrever ao nível de horas e minutos como é a sua vida do dia a dia, e se forem mostrados mapas de ocupação de tempo entre as 08:00 e as 22:00, horário mais do que comum entre os professores, aí a generalidade da população vai entender o seu protesto.
Mas é fascinante que ninguém se preocupe em transmitir esses detalhes que mostrariam que cada vez os professores têm menos tempo para dedicar aos alunos - objectivo essencial da sua vida profissional.
Tendo dito isto, e salvaguardando as excepções, eu sou dos que acreditam fervorosamente que a formação cultural e gosto pela informação se cultiva na escola primária. Por outras palavras...parte do insucesso educacional dos alunos que entram no ensino básico (5º ano e seguintes) se deve ao insucesso da sua professora primária. O gosto por aprender, se não é adquirido na primária, já nunca o vai ser.
Por outro lado os professores do ensino pós4º ano também deixam muito a desejar, tecnica e culturalmente. Falta o dominio do inglês, falta o conhecimento da Internet e faltam as mais básicas noções de motivação de turmas, cada vez mais dificeis de cativar, precisamente devido às lacunas da sua formação primária e aos aliciantes diários tecnológicos.
Não há aluno que não seja cativado por um professor que domine a sua matéria, que seja um bom comunicador e que consiga fazer a ligação entre a sua matéria e os interesses dos seus alunos através de muitos dos paradigmas da geração moderna. Claro que admito que o nosso estado não pode criar dificuldades adicionais através de uma ministra que é declaradamente autista, com os meus pedidos de desculpa a todos os autistas, pois tal afirmação pode ser entendida como ofensiva para estes.
No tempo do meu pai quem acabava a 4ª classe tinha os conhecimentos suficientes para abrir e gerir um negócio.Hoje quem acaba o 12º ano consegue fazer o quê ?
Todas estas medidas do governo não servem mais do que melhorar as nossas estatísticas europeias e isto é uma questão interessante. Interessa mais ao governo fazer boa figura aos estrangeiros, com um sucesso escolar (ficticiamente) alto, do que fazer boa figura face aos portugueses com um implementações que reduziriam (no imediato) o sucesso escolar, mas garantiriam à próxima geração uma educação de qualidade.
E o mais fascinante é que não há ninguém que se levante aos gritos a denunciar este tema. Vamos todos votar, em filinha indiana, bem comportados (será mais uma "vitória da democracia") no partido A ou no partido B. Os "inteligentes" abstêm-se, quando deviam ir votar NULO.
A Irlanda em 1985 entrou na CEE conosco e estava atrás de nós em tudo ! Vejam hoje : não tem auto-estradas nem TGV's, mas têm um dos sistemas de ensino mais avançado. Pululam universidades e todos os departamentos de investigação de grandes empresas tecnológicas estão lá. Não haverá uma alma caridosa, na comunicação social, que comece a bombardear os governantes - sistematicamente - com este tipo de temas até às eleiçoes ?
Saúde e Educação são os pilares de desenvolvimento de qualquer povo. A partir daqui tudo é possível, mas parece que os nossos gestores estão apenas preocupados com os bolsos deles e com a sua imagem internacional, para "tachos" futuros e tudo isto......COM A NOSSA BENÇÃO !
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