
Hoje vou desabafar sobre um tema que me incomoda e que trata da democracia, tão badalada hoje em dia.
Segundo a história a democracia é originária na Grécia onde o próprio termo significa Demos=povo e Kratos=regra,força. As regras são definidas pelo povo. Na sua essência a democracia tem dois principios fundamentais: todos são iguais e têm igual acesso ao poder e todos os membros devem gozar das mesmas liberdades reconhecidas universalmente
A título de curiosidade refiro que na Antiga Grécia, onde haviam votos no sistema eleitoral, nem todos podiam votar. Só podiam votar os homens que tivessem tido uma educação dos 6 aos 18 anos e que depois disso tivessem cumprido 2 anos de serviço militar.
Obviamente que a questão de serem homens apenas tinha a ver com o preconceito dos antigos acerca das mulheres, mas a parte interessante é a necessidade da educação que incluia, matemática, filosofia, história e outros idiomas.
Quer isto dizer que, desde então. estava entendido que sem cultura e educação não era possível apreciar os problemas da sociedade e sobre eles decidir (votar) de uma forma eficaz, em prol da própria sociedade.
Hoje em dia já se define uma miriade de "tipos" de democracia, tais como, Representativa, Parlamentar, Liberal, Directa, Socialista, etc....mas basicamente todas se baseiam em eleições. Além dos vários tipos de democracias, existem ainda vários conceitos sobre o tema, sendo um deles o conceito minimalista.
O conceito minimalista foi dissecado por Joseph Schumpeter no seu famoso livro "Capitalismo, Socialismo e Democracia" e básicamente este conceito diz que os cidadãos dão poder a um grupo de políticos para governar por um determinado prazo. Os cidadãos não podem, nem devem governar, pois na maioria dos casos, os cidadãos não têm uma visão clara dos temas ou a sua visão não está bem fundamentada. Esta perspectiva é compartilhada por vários proponentes contemporâneos como William H. Riker, Adam Pizeworsky e Richard Posner.
Se há alguns séculos atrás, ou mesmo há algumas décadas atrás, as questões que se colocavam á sociedade eram mais acessíveis ao vulgar cidadão, assistimos a que hoje os problemas que se colocam, nomeadamente com a eliminação progressiva das taxas alfandegárias e com a globalização não são de todo triviais muitas vezes para os especialistas, quanto mais para o vulgar cidadão.
Aqui começam as minhas incomodidades.
Mesmo dentro de um conceito minimalista, o facto é que é preciso votar em grupos que se propoem, com base em programas eleitorais, a serem eleitos.
- Se os programas eleitorais não contêm senão informação "típica" para o cidadão vulgar gostar deles, então esses candidatos não são confiáveis.
- Se os programas contêm decisões técnicas elaboradas e justificadas com base em estudos financeiros ou de marketing, a esmagadora maioria da população não tem hipótese de os entender.
- Se os programas incluem algum tipo de sacrificio para a população, mesmo para semear um futuro melhor, esse grupo não é escolhido pois a cultura ocidental, hoje em dia, é para o "hoje"
a minha incomodidade continua.....
Se a classe politica percebe que a população não tem capacidade cultural de apreciar, em prol do futuro, as decisões que se propoe tomar ou que toma, tal dá à classe política uma autocracia, que passa despercebida, mas que é o oposto de democracia.
Por outro lado em Portugal o cidadão só tem, na esmagadora maiorida de situações eleitorais, a possibilidade de votar em partidos e não em pessoas. Eu não acho tal democrático. Pessoas são reais, partidos são abstrações. Pessoas são responsabilizáveis, partidos são etéreos.
e assim continuo incomodado.....
Tenho também a incomodidade sobre a cultura e educação dos políticos...da sua competência para tomar decisões que nos afectam a todos.
Se um cirurgião tem de estudar durante 22 anos até que possa abrir um tórax, para proteger o indivíduo que está sobre a marquesa, como é que é possível que, para ser deputado - que vai votar leis que afectam milhões de pessoas - basta que ele tenha nascido ?
O primeiro principio fundamental da Democracia deixa-me assim incomodado. Todos são iguais no acesso ao poder. Mas se os que detêm o poder não têm as necessárias competências para o executar que será da sociedade ? Que será da Democracia ?
O conceito de Democracia, cujo ideal eu respeito se o beneficiário for a sociedade, é uma criação puramente humana, I.E., não existe na natureza, e contúdo temos apreciado ao longo dos anos que as soluções encontradas na natureza são sempre as mais estáveis e as mais duradouras, qualquer que seja o campo em estudo.
Criminalidade
Um tema actual é a criminalidade. A criminalidade organizada, não organizada, muitas vezes estúpida (como os que foram assaltar uma agência bancária que não tinha "caixa" !!) e muitas vezes violenta.
Como é que se combate a criminalidade ou o terrorismo numa Democracia ? Com leis, responderão. Bom, nós temos leis e a criminalidade não só existe como está a aumentar. Outros países "democráticos" têm leis e isso não elimina o crime organizado ou o terrorismo.
A Democracia ocidental coloca, como temos assistido muitas vezes nos noticiários, os direitos do agressor sempre acima dos direitos da vítima ou da sociedade. Por isso vemos criminosos a serem colocados em liberdade, porque um prazo expirou, ou porque um papel não foi correctamente preenchido.
isto continua a incomodar-me....
Julgo que a questão que devemos colocar a nós próprios é simples:
Queremos que os interesses individuais se sobreponham aos interesses da sociedade, ou não ?
A forma de estar oriental faz sobrepor os interesses da sociedade aos interesses individuais.
(tal como se vê na natureza, em termos de comportamentos dos grupos de vários tipos de animais que vivem "em sociedade").
As sociedade orientais existiam já como sociedade enquanto os ocidentais ainda estavam em plena idade das trevas
A forma de estar dos ocidentais é sobrepor os interesses do individuo aos interesses da sociedade e é isso que me incomoda. Como pode uma sociedade sobreviver nesta situação ?
Os exemplos são muitos e basta ler os jornais todos os dias. Bancos que são perdoados em dívidas de milhões, dinheiro esse que entraria nos cofres do Estado em prol da sociedade, criminosos que são postos em liberdade por questões meramente formais, obras públicas gigantesca que são feitas sem que se perceba exactamente em que beneficiam a sociedade
Que queremos ? Já não digo para nós que por cá andamos hoje, mas para os nossos filhos e netos ? Será que temos a necessária cultura ou interesse em nos preocupar com isso ?
mas as minhas incomodidades não acabam aqui....
A Democracia diz que todos têm iguais possibilidades de chegar ao poder. Será ?
As campanhas eleitorias custam fortunas. Jornais, revistas, rádio, televisão, viagens, convenções, balões, bonés coloridos, etc, etc, etc.
Se as campanhas custam fortunas, como é que o primeiro principio da democracia se aplica ? As pessoas não têm todas as mesmas capacidades financeiras. Claro que não tendo têm de ir pedir o dinheiro a quem tenha. Mas alguém dá dinheiro...muito dinheiro....sem contrapartidas ?
Incomoda-me que alguém pense que sim...que confiança podemos ter em políticos eleitos com dinheiro que não era deles ?
e para terminar o meu rol de incomodidades....
A Democracia ocidental refere as liberdades individuais e o seu exército de seguidores fazem a sua apologia...mas aqui também algo me incomoda em termos teóricos
A privacidade é uma das maiores liberdades que podemos ter, todavia a nossa vida actual em tudo é antidemorática:
- Cartões bancários
- Portagens com via verde
- Cameras de televisão
- Telemóveis











