Wednesday, August 13, 2008

quis custodiet ipsos custodes ?


No sec I o poeta romano Juvenal satirizava a sociedade da época com a pergunta, "Quem guarda os guardas ?" precisamente para se referir aos abusos que eles praticavam.

A nossa história recente....tem muito disto e ninguém parece ligar muito, nem mesmo os habituais arautos da famosa democracia.

1. Droga nas prisões
Todos sabemos que existe grande quantidade de droga nas prisões. Basta ler os jornais e verificar o que fazem os organismos para-oficiais que lá vão distribuir seringas gratuitamente para evitar a propagação da Sida.

Este objectivo é louvável, mas ninguém se interrogou acerca de como a droga entra nas prisões...nunca ninguem se preocupou em saber qual a filosofia de rotação dos guardas para que não fiquem muito tempo na mesma prisão......nunca ninguém se interessou por saber quais os objectivos profissionais a atingir por um guarda prisional, ou pela prisão no geral.

Se a droga entra só pode ser com a conivência dos guardas. Não há outra forma. Se os guardas têm instruções (sombrias) da sua hierarquia para fechar os olhos isso é outra coisa....mas então o governo que o assuma.

2. GNR anda em perseguições aos tiros
A GNR acabou de matar uma criança de 13 anos porque o carro onde ela estava, tinha sido usado pos adultos seus familiares num roubo e não parou à ordem dos guardas da GNR, uma autoridade.

Assim, para que a GNR possa sublinhar a autoridade de que a lei fala, tratou executar uma perseguição automóvel que envergonharia o realizador dos filmes maus audases de gangsters. Velocidade, chiadeira de pneus e....tiros....

Mas ao contrários dos filmes, nem as cápsulas são vazias, nem todos vão jantar no final das filmagens.

A GNR desatou aos tiros contra a carrinha em fuga e matou uma criança de 13 anos. Ainda bem que nenhum de nós estava nas redondezas a empurrar o carrinho do nosso bébé ou a ajudar a nossa avó a atravessar a rua.

3. SEF - e viva a importação de crianças
A cena que descrevo abaixo passou-se perante os olhos (ainda hoje não retornados dentro das órbitas) da mnha mulher no aeroporto de Lisboa. Dia: 29 de Julho Hora: 07:00

Acabada de chegar de uma semana no Brasil assistiu à seguinte cena já à saida par ao exterior, depois de recolher as bagagens:

Uma garota que aparentava uns 8 anos, vida de Angola, estava APENAS acompanhada de um garoto que não devia ter mais de 4 e que a garota disse não ser seu irmão mas apenas um amigo.

Os guardas que controlam a saida das pessoas não sabiam o que fazer com eles. Perguntaram se tinham alguma documentação. A garota apresentou uma carta muito amarrotada para alguém em Lisboa onde, pelo conteúdo se percebia que os garotos vieram para ficar.

Mas nada de visto de residência ou parecido. Nada de hospedeira a acompanhar ou dos guardas chamarem outra autoridade.

"Os senhores guardas vão deixar entrar em Portugal crianças nesta situação ? Sem documentos sem se saber para onde vêm e porquê ? " Perguntou um espectador indignado, que continuou "Pode ser tráfico de crianças, pode ser qualquer coisa, uma vez que a situação está longe de ser trivial"

Ao que um dos guardas respondeu: "Que quer o senhor que a gente faça ? Que a mande de volta ?" - ao que o indignado senhor disse que sim, que as deviam enviar de volta.

Os guardas entreolharam-se e um disse ao outro "Deixa-as passar e acaba com isso".....e foi feito !

  • Entraram em Portugal duas crianças cuja documentação mostrava que iam cá ficar a viver apesar de não terem qualquer tipo de visto de residência.
  • Entraram sózinhas
  • Não se sabe porque vieram
  • Os guardas não sabiam o que fazer
  • Os guardas não faziam ideia de quem poderiam chamar
  • Os guardas tomaram a atitude mais cómoda para eles
E é assim.....

Os polícias, guardas e similares em Portugal até podem ser na sua esmagadora maioria gente de bem, mas os seus pobres vencimentos, o facto de não serem protegidos pelo Estado, o facto do Estado não lhes dar a formação que lhe competia torna-os em ferramentas dos bandidos, muitas vezes em reféns deles, mantém-nos num estado de irresponsabilidade insconsciente e obriga-os a fazer o que as outras profissões têm de fazer...ir-se desenrrascando !

É uma pena. Pobres deles e pobres de nós.


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