Friday, August 01, 2008

Recados à filha longe

A minha filhota mais nova está a viver longe.....oohhhh
Está longe dos papás, está longe dos manos, está a viver com outra familia, que tem as suas regras e vai estar numa escola que é bastante diferente da que tinha aqui em Portugal.


Mas está longe por opção própria e isso é bom. O contrário seria muito pior e muito mais traumático.

Ao contrário do que é vulgar dizer-se "na vida só há duas coisas de que não se pode escapar...os impostos e a morte" tal não é verdade.

De facto há duas coisas de que não se pode escapar nesta passagem breve cá por baixo, são as opções e a
morte.

Opções, opções, opções......mesmo que optemos por não optar....isso já é uma opção.

A navegação por esta vida tem muito a ver com a navegação à vela por esses oceanos fora. Eu diria mesmo que são idênticas, senão vejamos:

Onde estou e para onde vou
No planeamento de qualquer viagem nós só podemos saber por onde vamos se soubermos onde estamos e para onde queremos ir. Acontece por vezes que no meio do oceano, devido a um qualquer problema, como por exemplo ter passado uma semana no meio de muito mau tempo, nós não sabemos exactamente onde estamos e muito embora saibamos para onde queremos ir, tal impede-nos de traçar o rumo. Se eu não sei onde estou, como posso saber por onde vou ?

As chamadas referências entram aqui no esquema. As referências é tudo aquilo qu
e me permite orientar-me e saber onde estou. Na navegação costeira as referências são os faróis, as bóias, as chaminés altas, marcadores em cima de serras, e por aí fora. Na navegação de alto mar as referências são as estrelas, o Sol e a Lua. Com a devida observação destas referências, nós conseguimos saber onde estamos.

Na vida as referências são dadas pelos pais e pelos avós, pelos irmãos, depois pelos professores e também por alguns amigos (alguns), livros ou filmes. As referências devem ser fixas
ou então não servem como referência. Se um farol estiver montado em cima de um camião a andar ao longo da costa, o facto de eu o ver não me diz nada reletivamente ao sitio onde estou.

Da mesma forma na vida as referências devem ser obtidas a partr de pessoas, ou ideias constantes no tempo....para o bom e para o mau. O facto de termos referências firmes não significa que estejamos num bom local. Se eu estiver a ver a zona vermelha de um farol bicolor, eu sei onde estou...e estarei muito perto de rochedos. A minha viagem arrisca-se a terminar em naufrágio....o que não é bom !

Na nossa vida nós muitas vezes temos referências de pessoas ou coisas más. Temos de as conhecer para saber navegar ao largo e não nos aproximarmos dessas áreas de risco. Sejam boas ou más, são as referências que nos permitem saber onde estamos em cada momento.....e são as nossas opções que vão decidir que referências queremos utilizar.

Bons e maus momentos
Esta história do que são bons e maus momentos é totalmente subjectivo e dependente do contexto das nossas vontades e intenções. Se estivermos com pressa em chagar a terra e rever a nossa amada (ou amado), um vento forte favorável é uma dádiva do céu, ainda que tenhamos que esgalhar be
m para manter a navegação de forma corecta. Mas se tivermos acabado de sair de um porto simpático e tivermos 3.000 milhas até ver novamente terra, um vento bonançoso, alguns golfinhos e poucas nuvens no céu, colocarão esses momentos no livro de antologias dos bons momentos.

Bom e mau é sempre uma medida relativa. Não é possível saborerar um bom momento se já não tivermos passado por maus momentos.....sendo que os ditos "maus momentos" às vezes são autênticas bençãos muito embora só mais tarde nos apercebamos disso. Quantas vezes não damos conosco a dizer "se eu tivesse levado a mnha vontade à vante....que grande problema tinha arranjado".

Por outro lado perdemos muitas vezes a noção de escala para o que chamamos de mau. Mau é mau...não apenas um aborrecimento, por muito incómodo que ele seja. Uma vela que se rasga é um aborrecimento, uma ancora que se perde é outro, mas partir um mastro já é mais chato - superável, mas chato. Ter uma orca a saltar para cima do barco, a meio de uma tempestade, num mar infestado de tubarões isso já seria mau.

Na nossa vida há muitas situações que carimbamos de más mas que passados algum tempo verificamos, que, afinal até nos trouxeram vantagens. O contrário também é verdade: acontecimentos "bons" que só vieram dar-nos problemas. O bom e o mau são conceitos relativos e que ainda por cima só se podem definir depois dos factos terem acontecido.

Opções - Opções - Opções
Quando atravessamos uma rua, quando respondemos torto a alguém, quando preferimos fazer
uma coisa em detrimento de outra estamos a tomar opções. A questão é que cada opção tem as suas vantagens (aparentes ou não) e a respectiva factura. Pagamos sempre pelas escolhas que fazemos. Pode custar-nos muito ou pouco, podemos aceitar à partida o custo, podemos só o descobrir mais tarde, mas há sempre um custo a pagar.

Por isso devemos ser conscientes nas escolhas que fazemos e nas opções que tomamos e a nossa própria experiência pode,nem sempre, ser algo que deva suportar a nossa opção. Como a velha piada: "se eu atravessei a avenida de olhos vendados e cheguei ao outro lado....então atravessar a avenida de olhos vendados é uma boa opção !"

As opções são muitas vezes fruto da experiência....e não necessariamente da nossa pois somos novos. Daí a importância em saber apreciar com isenção o que os mais velhos e merecedores do nosso respeito nos dizem. Isto é muitas vezes dificil, pois o que nos dizem vai contra o que nos apetece fazer de momento. Por exemplo: "não vais à festa pois para a semana tens exames"...é claro que é um saco. O gozo está na ida à festa. Todavia, o cérebro demora 6 meses a recuperar de uma noite de sono perdida....logo o conselho tem toda a lógica e só defende os nossos interesses.

A sociedade não ajuda nada hoje em dia. A sociedade, por onde circulamos, está cada vez mais bipolarizada entre a grande massa amalgamada de seres incultos, ignorantes e que se esforçam por se manter assim - e uns poucos, esclarecidos ou que pelo menos o tentam. Por isso a soiedade em que vivemos não é seguramente fonte de referências e muito menos a comunicação social, as revistas cor-de-rosa ou os programas de televisão em que se faz qualquer barbaridade para ganhar meia-dúzia de euros.

Por isso as referências são importantes. Por isso a intuição é importantíssima.

É engraçado que todos os livros de navegação dizem que a altura de rizar as velas (diminuir a área das velas a prever mau tempo) é a altura em que se pensa nisso pela primeira vez. É a intuição a trabalhar, muitas vezs muito antes de haverem motivos concretos para tal.

Opta sempre sem pressa, com distanciamento ao interesse momentâneo, com aproveitamento da tua experiência e da dos outros e com muita intuição.

Fazer a nossa vida

Nós estamos "cá em baixo" para sermos felizes. Objectivo único.
(http://www.mediafire.com/?cxwwybzzjrn)

Se cá estamos para sermos felizes, naturalmente que essa felicidade não pode estar nas mãos
de mais ninguém que não nós. O contrário não faria sentido. Se a nossa felicidade só está nas nossas mãos, então não é o mundo, não são os pais, não são as amigas que nos roubaram os namorados, não são os profesores que são responsáveis pela nossa infelicidade.

A nossa felicidade só depende de nós e da intenção com que a queremos. Quere-la é transformar todos os maus momentos...tu não tens maus momentos....é transformar todas as incomodidades da vida em lições para vivermos melhor. Não há "chatisses"...o que existem são "quebra-cabeças" para que desenvolvamos a nossa tola a arranjar soluções e que essa cabeça cada vez mais desenvolvida nos conduza por todas as opções que nos são benéficas ao longo da nossa vida.

A solução é a mais simples possível: é convenceres-te de que basta quereres ser feliz !


Beijocas do papá





1 comment:

GritosMudos said...

Pois é, tens razao papi!
Li tudinho, ate vou tirar umas frases dai para o meu orkut!
Beijinhooos
Saudades,
nininha