Friday, January 25, 2008

Grunhos nos quarteis de bombeiros


A SIC deu a conhecer a Portugal as fantásticas conversas telefónicas entre o INEM e o quartel de Bombeiros de Favaios.

À parte a obvia escandaleira de se fecharem urgências e SAP's sem ter a infraestrutura de apoio perfeitamente afinada...deixo os comentários para os especialistas, fiquei apavorado com a conversa de GRUNHOS quer com o elemento que respondeu do quartel de Favaios, quer em grau menor com o de Alijó.

Eu não quero acreditar que nas prestigiosas corporações de bombeiros existam especimens destes GRUNHENSIS VULGARIS e que ainda por cima têm nas mãos situações de vida e morte.

O video da SIC é absolutamente inenarrável...como é possível meu Deus, ter no periodo nocturno este tipo de criaturas de serviço num quartel de bombeiros ?

É um insulto à memória de todos os bombeiros falecidos no serviço ao próximo, é um insulto às Corporações e é a areia na engrenagem para a infraestrutura super-eficaz que é necessário implementar.

Coitadinho....eu tenho imensa pena do individuo por estar naquela situação, mas para qualquer coisa mais do que saber dizer o seu próprio nome, ele não estava obviamente qualificado !

As conversas podem ser ouvidas em
http://sic.sapo.pt/online/scripts/2007/videopopup.aspx?videoId={0884CB0D-C015-4AAD-A6D3-5DAB2DE0D424}



Unidoses para o cérebro ?


Os sucessivos governantes vêm-nos decidida e definitivamente assim....como na figura acima. Que as gransdes indústrias vejam assim o cidadão...eu entendo e até compreendo....mas para isso lá tem de estar o governo a defender os nossos interesses.

Como os nossos amados governantes nos vêm também assim, então a defesa dos nossos interesses resume-se a darem-nos futebois e muitas TV's privadas (ou públlicas a comportarem-se como privadas) e muitas novelas !

Eu passo a explicar algo aparentemente de uma simplicidade assustadora mas que, pelos vistos, tem dificuldades de penetração nas cabeças governantes.

Até hoje quando alguém tem necessitade de tomar um remédio, vai à farmácia e compra uma caixa. Muitas vezes as caixas contêm muito mais do que se necessita....com enorme prejuizo quer do doente, quer do estado através das comparticipações

Quando há muitos remédios a serem tomados, os simpáticos auxiliares das farmácias escrevem como podem nas caixas a posologia escrita na receita (da qual o doente não fica com cópia ...estando à mercê da atenção do dito auxiliar...mas fica para outra oportunidade) sendo que os doentes terão, muitas vezes, de ter uma atenção fora do vulgar para saber quando se toma o quê.

Por outro lado existe o problema sempre pendente da auto-medicação, pois todos temos remédios em casa que "sobraram" de incidentes anteriores.

Para os que são responsáveis e se querem ver livres dos remédios fora das validades existe uma entidade (ver mais à frente) subsidiada pelo Estado para destruir esses remédios.

Esta é basicamente a fotografia do que se passa agora.
Veio agora a público a ideia de que o esquema da unidose dos fármacos onde cada pessoa apenas compraria o número de comprimidos que os médicos prescreveram.

A mim parece-me razoável....
  • O doente não necessitaria de adquirir mais do que necessita
  • Não haveriam excessos e como tal quer o doente, quer o Estado lucrariam
  • Deixaria de haver a auto-medicação para aproveitar o remédio que se comprou há algum tempo
  • Deixaria de ser necessário pagar a alguém para destruir as sobras
Mas pasme-se !! O governo colocou-se ao lado da industria farmacêutica a dizer que este projecto para já nem pensar !
A APIFARMA diz cobras e lagartos do projecto....que é uma ameaça à saúde pública, que as caixas têm as doses certas,.....etc..etc...etc
  • Ora considerando que as farmacêuticas ganham mais se venderem 25 comprimidos em vez de apenas 5, 10 ou 15, naturalmente que as unidoses são um absurdo !
  • Ora, considerando que é a APIFARMA que recebe os subsidios do governo para destruir as sobras, naturalmente que as unidoses são um absurdo !
Mas como disse mais acima.....que a APIFARMA e as farmaceuticas queiram ter mais lucro...eu entendo...agora que o governo compactue....só vem agitar as sombras da minha desconfiança acerca dos financiamentos de campanhas eleitorais

A Ordem dos Médicos colocou-se de lado a dizer que este tema é apenas uma questão comercial, pelo que não intervinha.

É uma posição insustentável, pois a própria ordem afirmou num passado recente que um dos problemas típicos da população portuguesa é a auto-medicação. Ora se a carteira está cada vez mais vazia e sobram remédios em casa.....é evidente que as pessoas os vão tentar rentabilizar...muito embora possam trazer danos à sua saúde.

O tema das unidoses também é uma questão de saúde pública !

Tuesday, January 22, 2008

Estado do dia

O programa "Estado do dia" que o Radio Clube Português passa às 22:00 tem tudo para ser um óptimo programa de rádio.....tem tudo mas acho que não o é.

Os convidados que lá são levados são sempre a nata da nossa sociedade, e aqui não estou a ser irónico, quer devido a formação própria, quer devido à sua actividade em prol do interesse comum.

O problema é o apresentador. Ele é uma pessoa simpática e parece-me que faz tudo cheio de boas intenções...mas não basta....


  • A gala de tratar todos por "tu" não me parece relevante que seja explicitada, tal como foi explicitada a excepção numa entrevista recente.

  • Normalmente o entrevistado corrige algum tipo de conceito do entrevistador, relativamente à actividade do entrevistado, por este ser incorrecto ou desajustado.

  • O entrevistador fala muiiiiiiiito mais do que o entevistado

  • O entrevistador interrompe frequentemente as linhas de raciocínio do entrevistado para dar uma "graça", que nem direi que seja de mau-gosto, sendo simplesmente sem graça.

  • O entrevistador emite frequentemente as suas opiniões pessoais sobre temas que estão sobre a mesa e sobre os quais o entrevistado se deve pronunciar

A ideia de ter entrevistados brilhantes na rádio é para nós, ouvintes, os ouvirmos.....saber o que eles pensam dos temas discutidos.

Queremos ouvi-los seriamente, sem sermos interrompidos por graças ou por histórias contadas pelo entrevistador a interromper a conversa. Queremos ouvir as opiniões deles - entrevistados - e não as opiniões do entrevistador.

É uma pena... tenho desligado várias vezes a telefonia, por me sentir embaraçado e constrangido pela atitude do entrevistador face aos entrevistados.....

O horário é óptimo, pois normalmente quem gosta deste tipo de programa é a hora a que o ouve, os entrevistados são muito bem escolhidos.....mas é uma pena que não os possamos desfrutar em pleno.

O entrevistador está lá para dar os empurrões certos à conversa através de pequenas perguntas ou considerandos, pertinentes e razoáveis, e depois o entrevistado "rolar"....a BBC é de facto uma grande escola....

Bom, aqui fica o reparo para o que valer...

Já agora...porquê o slogan de dizer "viramos o dia do avesso e antecipamos o dia de amanhã" se normalmente os entrevistados falam (e ainda bem que é assim !) daquilo que fazem ou de quem são ?


Saturday, January 19, 2008

Saude em Portugal

Há uns dias atrás estava tentado a vir aqui escrever uma nota de louvor ao governo a propósito da intenção de contratar uma universidade estrangeira para avaliar o plano do governo. Parecia-me bem muito embora, na altura, gostasse de saber que universidades ia convidar para apresentar uma proposta e quanto estava o governo disposto a gastar.

Entretanto surgiram os dois casos de bebés falecidos na zona de Anadia, um deles falecido à porta do Hospital de Anadia que, já não tem urgências a funcionar tendo estas sido encerradas pelo governo.

No caminho entendeu-se que uma ambulância dos bonbeiros não levava a tripulação obrigada por lei. Soubemos também pela CS que um dos bebés faleceu porque foi necessário esperar por outro carro do INEM especializado em reanimação.

Até pode ser queo facto de um dos bebés ter falecido à porta de um Hospital (cuja urgência foi encerrada) possa ter sido uma mera consequência. Naturalmente que é necessário passar a nós, pobres elementos do rebanho, o porquê dessa coincidência. O justificativo de que uma Urgência ainda totalmente operacional no Hospital de Anadia não teria também resolvido o problema que custou uma vida.

Ainda estava indeciso se o tema valia a pena...pois não gosto de me juntar às oposições histéricas, que exigem explicações antes mesmo das investigações estarem acabadas, quando fiquei a saber do seguinte abaixo assinado : http://www.petitiononline.com/hde2007/

Nem queria acreditar.....é um abaixo assinado para que o Hospital Pediátrico D. Estefânia não seja encerrado pelo governo que acha que as crianças podem ser transferidas para o Super-Hospital de Chelas onde serão tratadas juntamente com os adultos.

É um sinal de civilização construirem-se unidades de saúde específicas para certas áreas da população ou certas doenças, por isso existem hospitais ortopédicos, hospitais oncológicos, hospitais pediátricos ou hospitas geriátrios.

O tratamento de crianças passa, naturalmente, por um enorme envolvimento calmente, obviamente não existente num hospital geral.

Esse envolvimento calmante tem a ver com a forma de recepção, com a formação das enfermeiras, médicos e até auxiliares, com decoração, com o acesso e estadia possivel dos pais...

Eu não sou um especialista em medicina pediátrica mas entendo, com facilidade, que quanto mais calma e cooperante estiver a criança, tanto mais rápida será a sua recuperação.

Associando este tipo de intenções (do encerramento do hospital pediátrico) com o fecho das urgências e maternidades, com a aparente bagunça de eficácia de ambulâncias, começo a ficar seriamente preocupado com a eficácia da política governamental.....e consequentemente com a nossa saude.

Considerando que o nosso governo financia algumas universidades estrangeiras (como o MIT) a título de trazer para Portugal o respectivo know-how, interrogo-me sobre a isenção que uma universidade financiada terá na apreciação de um caso apresentado pelo financiador....se fosse este o caso.

O progresso de um país mede-se pela educação da sua população e pelo seu nível de saude, ou acessos a cuidados de saude. Tal como na educação já se estão a passar os meninos todos para que as estatísticas europeias pareçam boas já só falta acelarar mesmo o processo de morte dos doentes para que as estatísticas mostrem que a maioria da população goze de excelente saúde....nada de mais....apenas sublinhar o que foi categoricamente afirmado por Darwin já há mais de 1 século.









Saturday, January 12, 2008

Perspectiva Europeia - em que ficamos ?

Esta situação da escolha de um novo aeroporto fez-me pensar na necessidade de um aeroporto internacional / intercontinental, à luz do conceito da União Europeia...mas vamos voltar um pouco atrás...

A lógica da UE, em que já temos uma união económica, é uma lógica de união política que a prazo será algo do tipo "Estados Unidos da Europa". Este é o caminho lógico desde o começo. Não vejo como possa haver estabilidade havendo partes "unidas" e partes em que se devam preservar as soberanias nacionais.


Este tema voltou a ser debatido na AR quando do debate sob a forma de ratificar o Tratado de Lisboa. Politicos houve que voltaram a agitar a bandeira da "soberania nacional" para que o Tratado eventualmente pudesse ser recusado.....mas qual a lógica de tudo isto ? Portugal embarcou num combóio que leva a uma união europeia...qual a lógica de, a meia da viagem, estar a pensar em sair ? Sair para onde ?

Mais....o que é isso da soberania nacional nos tempos que correm ?
  • Dependemos durante décadas dos subsidios europeus

  • Dependemos dos grandes grupos económicos e das fábricas que cá instalam ou extinguem

  • Dependemos estridentemente do petróleo

  • Dependemos de tecnologias que vêm do estrangeiro
O melhor que nos pode acontecer é poder vir a fazer parte de uma Europa unida politicamente, mantendo, naturalmente, todo o orgulho nos quase mil anos de história atrás de nós. Mas a vida não pára e temos de pensar no que é melhor para todos nós.

Por isso mesmo também não entendo como é que neste dias ainda assistimos a cada vez mais áreas da Europa a quererem a independência....mas isso fica para outra conversa.

Assim voltemos à dúvida inicial acerca da estratégia de um aeroporto "nacional".

Nos EUA, não existem aeroportos intercontinentais em todos os estados. Apesar dos estados terem a sua "independencia", até certo ponto, a lógica das infraestruturas aeroportuárias é vista num conceito federal.

Ora, nesta perspectiva não deveria existir ao nível da UE algum tipo de "concertação" no desenho de uma estrutura aeroportuária "comum" ? Poderia ser interessante que o aeroporto de Madrid fosse o de grande porte e em Portugal existissem apenas boas e rápidas pontes aéreas para ele, com a eventual excepção das ligações a África.

Nos vários estados dos EUA não existem aeroportos que, todos eles, ligam a todo o mundo...é a lógica da rentabilização para vir a ser mais barato para todos.

Neste mesmo raciocínio também advogo que, mais importante que os combóios de alta-velocidade para passageiros são muito mais importantes os de carga, com destino a Leixões ou Sines, para exportar mais rapidamente pelo Atlântico as mercadorias espanholas.

Bom...vamos lá a ver se as querelas acabam....



Friday, January 11, 2008

AlcochOTA - o levantar do brilhantismo social

Não resisto a comentar a decisão governamental de enviar o novo aeroporto para Alcochete. Sendo um leigo na matéria não me cabe a mim discutir o local decidido mas sim a forma como ele o foi.

Durante anos os sucessivos governos defenderam furiosamente a opção OTA. Os politicos arrancaram cabelos e rasgaram casacos Yves Saint.Laurent na sua luta desenfreada pela OTA.

Porquê a Ota ? Pois eu não sei....limito-me a ler jornais e as justificações publicadas eram triviais e muito pouco técnico-económicas. Era a Ota porque sim. Se calhar porque seria "porreiro pá" !

Eis-me embrenhado nas mais fantásticas teorias da conspiração a saber porque diabo os politicos não diziam o porquê da coisa quando me chega a notícia - propagada por esta comunicação social desenfreada pela investigação cuidada dos dossiers - de que a Confederação da Indústria Portuguesa tinham mandado fazer um estudo que recomendava Alcochete.

Ainda estava atónito...quando sou apedrejado por outro estudo de localização do aeroporto de Lisboa...agora mandado fazer pela Associação Comercial do Porto !!

No meu sufoco para conseguir manter alguma auto-estima vejo a minha cabeça ser empurrada para o vazio da imbecilidade porque veio a lume mais um estudo de um colega engenheiro que, isolada e bravamente, recomendava o Pinhal-Novo.

Não tive palavras para descrever a emoção que senti ao constatar que neste pequenino país há, afinal, grandes cabeças capazes de, em algumas semanas, levarem a cabo estudos com a complexidade que é a decisão da localização de um aeroporto internacional. A grande Amália sentir-se-ia honrada de cantar ao mundo um fado que descrevesse a magnitude da comunidade tecno-cientifico-estrategica deste pequeno e humilde país.

O governo, sabiamente, entregou ao LNEC a decisão de recolher todos os estudos e dar o seu palpite onde deveria - então carago - ser o novo aeroporto de Lisboa. O LNEC, após um par de meses declarou ser Alcochete o melhor local.


A minha cabeça andava a 200 à hora com toda esta actividade cerebral perfeitamente frenética...não consegui acompanhar (apesar de devorar o detalhe, sempre permitente e sabedor disponibilizado, pela comunicação social) e fiquei cheio de dúvidas.....perdoem-me vós que fazem parte da maioria beijada pela felicidade de possuirem cerebros geniais.



Qual a competência da CIP para apresentar um estudo sobre uma localização de um aeroporto ? Tem associados especializados na matéria ? Contratou alguma empresa consultora internacional com créditos firmados na área ?

Qual a competência da ACP para apresentar um estudo sobre uma localização de um aeroporto ? Tem associados especializados na matéria ? Contratou alguma empresa consultora internacional com créditos firmados na área ?

Qual a competência do engenheiro para apresentar um estudo sobre uma localização de um aeroporto ? Tem associados especializados na matéria ? Contratou alguma empresa consultora internacional com créditos firmados na área ?

Sendo um reconhecido leigo....quiçá mesmo um grunho nesta matéria (!), admito que para um estudo de um aeroporto se possam equacionar áreas tão distintas como:


  • Metereologia

  • Corredores de acesso aéreo

  • Estrutura dos solos

  • Acessibilidades rodoviárias e ferroviárias

  • Disponibilidade de espaços marginais para áreas de negócio tipo hotelaria e centros de congressos

  • Disponibilidade local de funcionários ou formas expeditas deles acederem diariamente de locais mais afastados
além naturalmente das questões específicas das estruturas próprias de um aeroporto...como por exemplo se alguém se lembrou do tamanho de pistas que os novos aviões exigem.....parece uma observação cretina e arrogante da minha parte ?!?

Pois não se esqueçam que a celebérrima Casa da Música no Porto, que custou fortunas não pode apresentar óperas pois .....não fizeram um fosso para orquestra !!...pareceria óbvio para uma "casa da música"....ou será arrogância da minha parte ?!?

Ora bem apesar do LNEC ser uma prestigiada instiruição na área da Engenharia Civil e considerando que a decisão de um novo aeroporto, envolve naturalmente engenharia civil, mas vai muito para além disso eu questiono-me sobre a credibilidade do LNEC num estudo desta natureza.


Pode ser que o LNEC tenha contratado uma conhecida empresa internacional do ramo....mas então isso não deveria ser conhecido ?


Mas a cereja no topo do bolo veio quando o ministro disse que antes tinham decidido pela Ota porque não sabiam das vantagens de Alcochete.


Pasme-se ........eu vou repetir !!


Mas a cereja no topo do bolo veio quando o ministro disse que antes tinham decidido pela Ota porque não sabiam das vantagens de Alcochete.


Isto quer dizer que o governo estava disposto a gastar alguns Biliões de Euros sem ter avaliado todas as possibilidades....


...mas então ?!?...


quantos e em que outros projectos terá o governo decidido sem ter avaliado todas as possibilidades ?


Bom...Alcochete está decidido ! A decisão pode ter toda a credibilidade do mundo, mas eu desconheço-a...eles não dizem e a nossa comunicação social não pergunta...


...mas, apesar de tudo adorei a comunicação social televisiva no dia de ontem !!....fiquei a saber o que pensa a "pessoa da rua" , quer de Alcochete, quer da Ota, sobre a decisão....









Saturday, January 05, 2008

ASAE e Feliz 2008



Bom e Feliz Ano de 2008 para todos..e lembrem-se que a vossa felicidade só depende de vocês e não de terceiros ou do que "eles" vos fazem....


Não podia deixar de comentar a cena do presidente da ASAE estar a fumar depois das 00:00 do dia 1de Janeiro. Como de costume a discussão na comunicação social é sempre ao lado do que realmente interessa.

1. Incompetência (ou não !!) do legislador

Quando uma lei que proibe de fumar em recintos fechados é suposto entrar em vigor às 00:00 do dia 1 de Janeiro revela que o pobre coitado do legislador, ou é atrasado mental, ou está feito com a comunicação social ou forças reguladoras para apanhar ....toda a gente.

Eu não sou fumador mas entendo que quem está numa festa, num espectáculo ou num restaurante a celebrar a passagem de ano e que pode fumar até às 24:00 do dia 31 de Dezembro, não vai estar a olhar para o relógio ou com atenção às 12 badaladas para, quando engolir a 12ª passa, engula também a vontade de fumar.

Quando o legislador associa a uma lei genérica sobre proibição de fumar em espaços públicos uma lista, como parece que existe, e que naturalmente não permite listar o grande número de possibilidades......revela uma vez mais ou sérias limitações neuronais....ou grande amizade por quem - eventualmente - possa ter interesse em que os seus estabelecimentos não apareçam listados.

2. Amoralidade do presidente da ASAE

Naturalmente que o presidente da ASAE tem de ser como a mulher de César...não basta ser honesto, é preciso parece-lo.

Ora, fumar na madrugada do dia 1 de Janeiro, fosse onde fosse - sendo local público - era pedir para arranjar problemas. Mesmo na dúvida sobre a legalidade da acção, e mesmo que tivesse a certeza de que era legal fumar (o que não parece ser o caso) não fumava. ...era uma prova de respeito pelos portugueses e um fortalecimento da sua idoneidade.

Ao fumar, ao dizer que só nos casinos era permitido fez dos portugueses, como vem sendo hábito dos detentores de cargos de poder, uns tontinhos.


3. Incoerência dos intervenientes

É evidente mesmo para nós comuns cidadãos de 2ª classe que a existência de uma lei deste género deveria ser para evitar que não-fumadores tenham que fumar "obrigatoriamente". E o espírito de uma lei dessas deveria - naturalmente - incluir todos os locais públicos.

Andar a criar comissões para estudar o problema, uma vez que a legislação não explicita que os Casinos também estão incluidos, é aviltante para a inteligência humana.

Que raio !! ...será algum tambor de residuos tóxicos a verter lá para os lados de S.Bento ?