O nosso primeiro ministro, questionado sobre os 60.000 professores que não foram colocados, corrigiu célere o disparate da pergunta feita pelos jornalistas. Disse ele:
"Nããããooooo. Desses 60.000 a maioria não são professores, são apenas pessoas que se candidataram ao lugar de professor"
Agora estou esclarecido ! Todavia, alguns problemas antevejo num horizonte próximo:
- Para já comecei por meter os papéis para um divórcio pois, muito embora a minha excelentíssima esposa já não exerça a profissão de professora, andou anos a enganar-me com histórias, dizia ela, relativas aos seus anos de estágio profissionalizante - após licenciatura - para que se pudesse candidatar aos lugares de professora.
- Seguidamente descobri porque é que o meu vizinho que faz trabalhos de ferreiro - tem forja e tudo - passou a andar muito triste depois de umas quantas semanas de extraordinária efusividade. Ele deve ter sido uma das pessoas que se candidatou e ficou de fora. Pois foi uma pena...aqueles fedelhos candidatos a marginais que vimos nos últimos dias na TV ficavam curados num instante com o calor da forja dele.
- Por último tenho de ter cuidado quando quiser contratar um jovem engenheiro cá para a empresa. O gajo só é de facto engenheiro se já tiver trabalhado como tal em algum local....caso contrário - carago - não passa de mais uma "pessoa" a querer um tacho.
"Qual nota de curso, qual mestrado, qual quê oh madraço! Se não estiveste inscrito para pagar impostos com o suor do teu trabalho não és ninguém. Mas, na caridade infinita do nosso governo, mesmo sendo ninguém podes candidatar-te a professor"
Isto é mesmo tal qual o Nobel da literatura....só depois de muita coisa escrita é que se tem o título. ....eu sei, por portas e travessas, que o governo está a pensar expandir o conceito. A partir de 2007, quem não tiver já sido professor, durante 15 anos, em escolas de bairros deg
radados e sido hospitalizado, pelo menos 3 vezes por agressões - sendo que uma delas deverá ter colocado em sério risco a sua vida - não tem o mérito de ostentar esse epíteto pelo que, nos concursos trienais, continuará no grupo das "pessoas" que se candidatam.Não basta ser inteligente para estar no governo, também são precisos grandes cojones para aplicar a verbalização correcta em prol e benefício da populaça. Quem sai aos seus não é de Genebra.

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