Saturday, January 19, 2008

Saude em Portugal

Há uns dias atrás estava tentado a vir aqui escrever uma nota de louvor ao governo a propósito da intenção de contratar uma universidade estrangeira para avaliar o plano do governo. Parecia-me bem muito embora, na altura, gostasse de saber que universidades ia convidar para apresentar uma proposta e quanto estava o governo disposto a gastar.

Entretanto surgiram os dois casos de bebés falecidos na zona de Anadia, um deles falecido à porta do Hospital de Anadia que, já não tem urgências a funcionar tendo estas sido encerradas pelo governo.

No caminho entendeu-se que uma ambulância dos bonbeiros não levava a tripulação obrigada por lei. Soubemos também pela CS que um dos bebés faleceu porque foi necessário esperar por outro carro do INEM especializado em reanimação.

Até pode ser queo facto de um dos bebés ter falecido à porta de um Hospital (cuja urgência foi encerrada) possa ter sido uma mera consequência. Naturalmente que é necessário passar a nós, pobres elementos do rebanho, o porquê dessa coincidência. O justificativo de que uma Urgência ainda totalmente operacional no Hospital de Anadia não teria também resolvido o problema que custou uma vida.

Ainda estava indeciso se o tema valia a pena...pois não gosto de me juntar às oposições histéricas, que exigem explicações antes mesmo das investigações estarem acabadas, quando fiquei a saber do seguinte abaixo assinado : http://www.petitiononline.com/hde2007/

Nem queria acreditar.....é um abaixo assinado para que o Hospital Pediátrico D. Estefânia não seja encerrado pelo governo que acha que as crianças podem ser transferidas para o Super-Hospital de Chelas onde serão tratadas juntamente com os adultos.

É um sinal de civilização construirem-se unidades de saúde específicas para certas áreas da população ou certas doenças, por isso existem hospitais ortopédicos, hospitais oncológicos, hospitais pediátricos ou hospitas geriátrios.

O tratamento de crianças passa, naturalmente, por um enorme envolvimento calmente, obviamente não existente num hospital geral.

Esse envolvimento calmante tem a ver com a forma de recepção, com a formação das enfermeiras, médicos e até auxiliares, com decoração, com o acesso e estadia possivel dos pais...

Eu não sou um especialista em medicina pediátrica mas entendo, com facilidade, que quanto mais calma e cooperante estiver a criança, tanto mais rápida será a sua recuperação.

Associando este tipo de intenções (do encerramento do hospital pediátrico) com o fecho das urgências e maternidades, com a aparente bagunça de eficácia de ambulâncias, começo a ficar seriamente preocupado com a eficácia da política governamental.....e consequentemente com a nossa saude.

Considerando que o nosso governo financia algumas universidades estrangeiras (como o MIT) a título de trazer para Portugal o respectivo know-how, interrogo-me sobre a isenção que uma universidade financiada terá na apreciação de um caso apresentado pelo financiador....se fosse este o caso.

O progresso de um país mede-se pela educação da sua população e pelo seu nível de saude, ou acessos a cuidados de saude. Tal como na educação já se estão a passar os meninos todos para que as estatísticas europeias pareçam boas já só falta acelarar mesmo o processo de morte dos doentes para que as estatísticas mostrem que a maioria da população goze de excelente saúde....nada de mais....apenas sublinhar o que foi categoricamente afirmado por Darwin já há mais de 1 século.









1 comment:

Anonymous said...

You write very well.