Monday, February 19, 2007

Amar o dinheiro e desprezar a forma de o obter

Como sabe quem acompanha estes blogs.. bom, além de eu gostar de ser mais regular do que estou a ser....gaita pareço um político...eu estou a viver no Brasil.


Entre várias coisas fascinantes que encontrei, umas boas, outras menos boas, há uma que me faz uma confusão doida. O amor incondicional ao dinheiro e o total desapego pelas acções que o garantem......vêm como é estranho.


Eu estou a viver na Bahia e não sei se é só uma questão estadual ou se é apanágio global. O pessoal daqui, talvez pelas suas dificuldades, coloca o dinheiro em primeiro lugar. Existem filas kilométricas para apostar no totoloto e similares, os angariadores do jogo do bicho (não sei ao certo o que é mas parecem ser apostas que vivem na clandestinidade) têm milhares de clientes fieis diários, as pessoas com algum cargo, aparentemente mais bem remunerado, estão sempre sujeitas a algum tipo de assédio....bom, esta é a ideia.

Pensar-se-ia que as pessoas preservariam imaculadamente tudo aquilo que lhes trás dinheiro, nomeadamente os clientes (profissões liberais) e patrões.....pois, é mentira !

Podia estar aqui durante 3 dias e 3 noites a dar exemplos, mas vou rreduzir a 2 que se passaram connosco:

A cabeleireira:
Foi recomendada à minha esposa uma cabeleireira a domicilio. Uma garota na casa dos 20 e poucos anos, mãe de uma bébé. Chamámo-la e ela começou a vir cá a casa 2 vezes por semana, o que dava um total de R$30/semana, o que equivalia a R$ 120/mês. Não é um valor insignificante se considerarmos que o salário mínimo é de R$ 350.
Uma vez que esta garota tinha o péssimo hábito de telefonar a cobrar no destino (vulgar por estes lados...mesmo para os seus próprios clientes), ficou sem trabalho, pois como nós não atendemos chamadas a cobrar e ela não queria gastar R$ 0,30 num telefonema...acabou por se perder o rasto da "próxima" visita e acabou por perder R$ 120/mês.

O Garçon
Conhecemos um garçon de uma cabana famosa que foi contratado pelo seu profissionalismo. Para o cativar foi-lhe oferecida uma comissão nas suas vendas maior do que a normalmente oferecida por cada cabana. Relembrando o salário minimo mensal de R$ 350, este garçon levava muitas vezes para casa em cada dia do fim de semana R$ 100 a R$150, ou às vezes até mais. Durante a semana em que o movimento é mais fraco levava diariamente entre R$ 30 e R$60, mais coisa menos coisa.
Pois, um dia houve um grupo que foi ao restaurante em que o preço da refeição já estava combinado, sendo apenas as bebidas pagas por cada um. Como este garçon (como todos os outros) não ia receber comissão na comida e apenas nas bebidas, recusou-se a servir a mesa.
Foi dispensado no dia seguinte.

Isto dá para acreditar ? Mas a esmagadora maioria dos locais onde se vai é assim. O que é preciso é fazer (muito) dinheiro hoje.

Este é de facto um povo sofrido e esforçado, mas eles não se ajudam a esles próprios. É uma situação muito complicada.

Em cima de tudo isto, o governo Brasileiro subsidia cada vez mais o desemprego. Veio nos jornais que a região de produção de café está com dificuldades enormes de mão de obra, pois os trabalhadores usuais estão em casa, pois beneficiam mais dos programas de assistência do que do salário a receber.

Faz lembrar do que se passa também em Portugal e na generalidade da Europa. Enquanto os americanos e asiáticos subsidiam o emprego, por aí e por aqui subsidia-se o desemprego. Como vamos sair deste ciclo vicioso ? Nenhum candidato a governante o vai anunciar....senão não é eleito...

Bom...divirtam-se no carnaval
B&A


No comments: